ELOY NUNES



     
BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos

 

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Pentelho no Sabonete, por Eloy de Mello Nunes
Procuro vestígios seus pelo banheiro. É cruel um homem que espera por uma ligação; pior que mulher! A gente se deixa dominar, sendo dominante, daí, é um revertério de sensações estranhas. O coração já não bate na gente, bate fora, bate em outra pessoa. O amor pros homens fala baixinho e ininterruptamente. Assola o ouvido, isola esse ser, que só pensa na outra pessoa. Sentir, pra nós, é um nó imenso de afetos e rejeições, que chega numa patota exigente, solícita, pronta, aberta, desejosa. A gente sente, acho que provavelmente diferente das mulheres, mas a gente sente do nosso jeito. E tou aqui, sem jeito, dando jeito na minha coluna, atrás de vestígios, resíduos dessa pessoa. Desse ser. Este objeto de desejo que roubou meu espaço, e me deixou sem uso. Estou aqui, procurando uma ligação com o mundo, com você. Com aquela pessoa, que eu amei naquela noite, naquele momento. Naquele instante. E foi tão breve, foi único, quando poderia ter sido plural, muitos, repetidas vezes até meu cansaço, até o fim de um sentimento que quase nasceu. Quase berrou em mim, quase eu disse que eu estava aman... Não deu pra terminar. Terminou antes de eu até mesmo pensar que tinha começado. Começou, mas daí eu já estava sozinho. E onde está você? É feio dizer isso, mas será que deixou pelo menos algum pentelho no sabonete? Não dá pra explicar a vontade às avessas de tudo que sinto quando só faço lembrar de você. Daquela pessoa que quase-amei. Não gosto do quase, sabe, é algo que não existe por completo. Então não dá muito pra acreditar, pra levar em conta. Eu conto pras pessoas o que vivi naquele noite, mas todos zoam. Sabem que eu, eu nunca amei. Mas eu queria, eu quase... Lá vem o quase! Putz, quase não serve, não cabe mais em mim. Quero a plenitude de uma nova noite com você. Com essa pessoa, que admito, nem lembro mais o nome, nem lembro mais a fisionomia. Nem sei mesmo se teve essa noite. Se teve esse pentelho em algum momento encravado no sabonete. Vou tomar banho e lembrar de alguém que realmente voltará!

 08/07/2005      Publicado por ELOY NUNES

 

Querido Eloy, Adorei seu texto...Que lucidez cara!!! Pensei que só comigo acontecia o "quase aman...", mas não se preocupe que um dia agente completa a frase! Te admiro muito, vc tem um super talento! Beijão

08/07/2005 10:25
Muoio  SP
muoio@muoio.com.br  




Eloy, bom dia este texto e mui belo, expressa sentimentos nobres e que muitos sentem, e não expressão atravês das palavras, atos ... Será que foi sonho ou realidade, ao certo foi realidade mas de tão magico que foi chegamos a duvidar. Obs. Continue a escrever textos explendidos e que nos faz refletir. Abraços

08/07/2005 09:08
Christian   Jaú/SP
christian.d@ibest.com.br  




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