ELOY NUNES



     
BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos

 

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A Despedida, por Eloy Nunes [27/09/05]
Estou cansado. Daí, tirei meus braços e joguei-me no sofá espaçoso da sala. E fiquei ali, maneta, revirando-me de um lado pro outro. Até que me cansei das pernas, e retirei uma por uma. Primeiro a esquerda, com o auxílio da direita. Depois, a perna direita ajudado pelo ombro direito. Encolhi, e senti uma sensação de leveza, de paz. Decidi que poderia ficar melhor e desatarraxei minha bacia e lá se foi quadril, bunda e pau. Fiquei do umbigo pra cima e uma vontade doida de arrancar minha cabeça. Nunca tinha chegado a tanto, e estava ali com o pescoço nas minhas mãos. Aliás, minhas mãos, não, mas o próprio pescoço entregue a uma cabeça que sempre pediu pra se destroncar, se libertar daquele peso todo. Já estava leve, mas queria mais. E dei um jeitinho pro lado, pra baixo, e pronto. Saquei a cabeça do pescoço. Era um tronco na banda esquerda do sofá, e uma cabeça que continuava pensando, e os olhos abertos, afoitos, solícitos... Putz, pensei que seria bem diferente, mas que nada. Ainda sou o mesmo, mesmo sem braços, sem pernas, sem tronco, sem pescoço, sem meu pau! Mas a cabeça ainda está comigo e eu nela. E ela pensa, e repensa. E agora, o que faço? Me deu vontade de soltar meu maxilar inferior, e assim fiz. Depois aquelas orelhas incômodas, e o nariz insuportavelmente grande e sem necessidade, já que pulmão ficou lá numas dessas solturas. Pra que respirar, pensei. Tornei-me um rosto desfigurado sem o resto do corpo. Aliás, estava todo desmantelado, solto no chão da sala, como se todo meu guarda-roupa estivesse jogado ali. E era eu, sobrando pra todos os cantos, um eu liberto, mas ainda pensando, repensando. O que me falta: um cérebro, uma alma, uns dias contados, que nem sei se ainda quero contar, ou algo pra viver, que não serve pra ninguém nem pra mim. Nem eu me quero, deixo tudo ali pra doação, pro lixo, se assim decidirem. Eu decido que fico, mas não devo durar, já que não respiro, o sangue não circula... Nenhuma cabeça de tartaruga ou peru dura tanto. E, assim, despe(da)ço-me de mim.

 28/09/2005      Publicado por ELOY NUNES

 

muito bom o texto eloi, sempre afiado na caneta e papel vc. abração.

31/10/2005 20:28
eduardo   goiania
hrq000@hotmail.com  




gostei mto disso! bjo Eloy! e mande beijos prá fulana ;) www.fotolog.net/boapergunta

30/10/2005 04:13
Thaisy  Rio de Janeiro/RJ
friendsfanatica@hotmail.com  




Você me fez chorar, me fez abrir os olhos para uma realidade...me fez abrir as pernas e simplismente me fez abandonar o sexo, meu corpo não me serve de nada se não tiver uma boa cabeça,boas lembranças, e bons momentos guardados da minha infância querida, está tudo ali no cerebro é o único que não vou abandonar.Parabéns beijos.

29/10/2005 22:00
Thaís Perassoli  São Paulo
perassolita@hotmail.com  




lendo esse texto lembrei de uma musica. "eu perco a chave de casa, eu perco o freio... estou em milhares de cacos, eu estou ao meio... onde será que vc está agora?" enfim, serei seu leitor fiel!

26/10/2005 01:18
Leo  sampa
leosej@hotmail.com  




SUA IMAGINAÇÃO É A VERDADEIRA ALMA QUE SEMPRE BUSQUEI???... BESITOS, JANA

20/10/2005 12:10
janaina Miotto  Brasília
janaina_miotto@hqbrasil.com.br  




O céu chorou O texto é muito maneiro dá vontade de ler sempre e depois ir parar no céu

12/10/2005 17:36
daniel  rj
danielrocha15@yahoo.com.br  




DESPEDAÇOS DE DOR, TÃO FORTE QUE VAI ALEM DO ULTIMO FIO DE CABELO, E MESMO TODO CORPO MUTILADO, UMA CONCIENCIA QUE BRILHA, NO MEIO DE TANTOS PEDAÇOS, QUE NAO MAIS PRECISA DOS PEDAÇOS PARA EXISTIR, DOS PEDAÇOS QUE LHE CAUSAM DOR.

06/10/2005 22:45
rafinha  pr
the_scientist_cwb@hotmail.com  




Eloy, Seu texto me fez lembrar de uma conclusão à qual cheguei já tem um tempo, de forma um tanto oposta: Não somos nossos corpos, mas não porque sejamos alguma outra coisa. Não somos nós mesmos porque o "eu", enquanto coisa, não existe. Somos processos. Se um processo contínuo ou uma sobreposição de infinitos snapshots com sensação de continuidade como na película do cinema, eu não sei. De uma forma ou de outra, tudo o que somos está contido em cada momento em que estamos. E, por mais que isso pareça algum texto regado a LSD de um Paulo Coelho da vida, creio que tal realização esteja no cerne da conquista de uma vida plena, sem arrependimentos, repleta de realizações. Pois se algo que fizemos no passado nos perturba, basta que mudemos isso no nosso presente. E se pensamos em como alcançar o que almejamos no futuro, todos os recursos também já estão ao nosso alcance aqui mesmo. O Eloy de hoje é tudo o que há, e, creia-me, é muito mais do que o suficiente. Congratulações, meu amigo.

03/10/2005 02:33
NightHiker  São Paulo/SP
himself@nighthiker.com  




Lindinho...Tá precisando de ajuda pra juntar os pedacinhos??? Pode me chamar!(rsrsrs) Brincadeira à parte, novamente a sua sensibilidade para transpor em palavras os sentimentos me supreende. Que essa sua cabeça pensante continue sempre a nos brindar e embriagar com seus devaneios poéticos. Bjks.

29/09/2005 09:23
Sil Cordeiro  São Paulo
sil_cordeiro@terra.com.br  




Querido, esse texto tráz algo que considero fundamental a alma humana: permitir-se transitar entre a dor, a loucura, trazer a tona idéias e sentimentos em sua forma mais genuína, dexá-las vir a tona, olhá-las, agarrá-las, vivê-las! Acredito que este é o caminho mais são para se viver. Só assim podemos ir e vir da todas as dores. Não consigo enxergar caminho mais autêntico para o crescimento. Tô mutio feliz de tê-lo em minha vida! Conte comigo! Grande beijo, Samira.

29/09/2005 09:16
Samira  Sampa
samis.samis@gmail.com  




Inevitalmente viajei no texto e me vi na cena, não pq sei mas sofri e ao mesmo tempo senti alívio, senti dor e me senti só.Vi uma certa impotência diante da vida, percebi mais ainda o quanto dói as vezes olhar pra dentro de si.Enfim, ainda estou anestesiado, parabéns Eloy

29/09/2005 01:13
reginaldo viana  belém/pa
musical_47@hotmail.com  




Eloy, parabéns!!! Muito bom esse seu novo texto. Estou amando ler as coisas que você escreve... todas tem uma enorme profundidade e mexem tanto com nossa imaginação!!! Já adoro-te!!! Bjinhos

29/09/2005 01:09
Marcella Ramos  Santos
marcellavr@aol.com  




Ótimo... vc realmente tem uma mente mto criativa e expressa bem o q temos mtas vezes vontade de fazer... Parabéns

28/09/2005 20:38
Andréa  Goiania - GO
andreacrecci@hotmail.com  




mto, mto, mto, mto, mto bom cara um dos seus melhores abs dedé

28/09/2005 17:41
dedé  sp
andrebatera@gmail.com  




Despedaça e continua o mesmo, despedaça perna, braço, tronco, mas não despedaça a imaginação, Eloy nunes o que realmente te faz você é a tua maravilhosa imaginação.

28/09/2005 15:49
Joao vitor   são paulo
jvmoitinho@hotmail.com  




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